A Ditadura do Amor

16/01/2011

As ditaduras são vistas como regimes de ódio. Mas a pior ditadura é a ditadura do amor. Entre as ditaduras do amor, a mais perversa é a que abocanha a mulher, condenada a amar sua prole.

Uma mulher que cai na prisão por qualquer crime só é unanimemente molestada pelas outras caso sua falta seja a de abandonar um filho. Jogadas ao azar da vida, as mulheres na prisão, barbarizadas, enxergam que devem fazer justiça com as próprias mãos se uma outra mulher não cumprir sua “função de mãe”. A sociedade fora das grades faz a mesma coisa. A mãe que mostra qualquer gesto visto como o do não-amor ao filho só tem equivalente em monstruosidade ao homem que é acusado de pedofilia. Essa moral das cavernas é reproduzida no lar, na manicure, no trabalho e na universidade. A mulher pode não mais saber cozinhar e pode falar com gosto que “cuidar do marido” é coisa do passado. Mas, ser mãe e amar os filhos, ou ela faz isso e, mais importante, diz que faz, ou será posta para escanteio. A mulher não perdoa a mulher por não viver a ditadura do amor à prole.

Não são poucos os filósofos que, quando buscam a essência do que seria o amor verdadeiro, querem encontrá-lo na relação mãe-filho. (1) Talvez eles até tenham alguma razão nisso. Mas a contrapartida aparentemente lógica dessa idéia não é nada boa. Diz-se então, numa falácia, que se a mulher não mostra que ama seu filho, então ela não ama nada. Um homem que não ama nada é um homem frio. Uma mulher que não ama nada é um alienígena perverso que merece a morte – mas não sem antes uma boa tortura.  Sabe-se muito bem que bruxas não têm filhos.

Essa ditadura é aceita pelas mulheres e incentivada antes por elas mesmas que pelos homens. Na história do Ocidente só mesmo o movimento anarquista, em algum momento, conseguiu falar em “greve de útero”. Foi esmagado talvez antes por isso que pelas supostas greves no trabalho. Atualmente, qualquer atividade que possa aparecer como a negação da atividade materna, antes em teoria que de fato (!), é vista com maus olhos. A maioria das mulheres que defendem o direito ao aborto são as primeiras a ficarem horrorizadas com algumas de suas colegas que, antes do direito ao aborto, querem ter o direito de não ter de gastar o amor com filhos.

A ditadura do amor, porém, não tem só defensores explícitos. São dezenas de profissionais os que estão a serviço dela, trabalhando dioturnamente para que a lei da maternidade seja cúmplice e incentivadora, subrepticiamente, do que se pode chamar de lei do amor a todo custo. Li esses dias na nossa imprensa uma dessas sutis incursões a favor da ditadura do amor. (2) Psicólogos, terapeutas, pedagogos e outros dessa linha falando do “movimento pelo brincar”. Esses inventores da roda e descobridores de Américas dizem que as crianças precisam brincar. Falam (vagamente, é claro) sobre as distorções causadas pela falta da brincadeira tradicional na vida de meninos e meninas. Rousseauístas inconscientes e acríticos, eles insinuam que os adultos não serão boas pessoas caso não brinquem. Tentam apavorar as mães com as estatísticas, mostrando o quanto as crianças do mundo todo estão deixando de brincar, optando pela “abominável TV”, a Internet e atividades programadas em escolas ou atividades extra-curriculares. A classe média se apavora com o futuro de seus rebentos. A conclusão é óbvia: de um lado, as escolas interessadas no dinheiro, podem voltar ao lúdico, caso a classe média engula essa “novidade”; de outro, as mães devem, por amor, voltar a brincar mais com seus filhos. Nesse caso, toda e qualquer mãe! E até não mães! Haja mulher para agarrar e botar nessa senzala.

Não! Não adianta as mães contratarem babás. Nem adianta a Gelol querer dizer que “não basta ser pai, tem de participar”, porque a sociedade nossa não é movida familiarmente pelo macho e, sim, pela fêmea. A mãe é trazida para dentro de casa, amarrada com bola de ferro aos filhos, infantilizada pela brincadeira das crianças, separada de sua vida sexual e, então, ou se transforma em bola de puro amor ou deve ser jogada no poço do desprezo. É claro que as mulheres, diante disso, entram em depressão.

A raiva das mulheres contras os que denunciam a ditadura do amor é tamanha que não espante o leitor inteligente quando ler os comentários a este texto, de mulheres gritando contra mim: “eu sou feliz por brincar com meus filhos, sou feliz, sou feliz, sou feliz”. Vão esgoelar – duvidam? Outras dirão que não sei de nada, e que elas arrumam tempo para não só cuidar dos filhos como também brincar com eles. Outras falarão do quanto é importante não só para os filhos, mas também para os adultos, aprenderem a brincar com seus próprios filhos – aliás, já há profissionais da psicologia dizendo isso por aí. O romantismo disseminado pelo filósofo que Nietzsche chamava de “a tarântula moral”, Rousseau, sempre teve algo de malévolo, ditatorial e, enfim, como todos sabem, conservador.

É claro que do ponto de vista dos sociólogos, o mundo nunca tem problema. Entendendo pouco dos componentes subjetivos da vida, uns vão dizer que a questão se resolve com creches, através de uma política social democrata, outros vão dizer que o socialismo, criando uma nova sociedade, também disporá dos meios de fazer a criança brincar na escola. Ou seja, que se arrumem mães em algum lugar! O que não pode parar é a ditadura do amor.

Mas nós filósofos, que não temos como solucionar os problemas com tanta facilidade assim, iremos desconfiar de que essas medidas não trarão senão a libertação da mulher para que ela entre em outra prisão do amor – talvez a mesma! A ditadura do amor é a mais perversa invenção nossa, o que começou a partir do momento em que começamos a criar a possibilidade de reservar a mulher livre para o sexo – que acabamos nem fazendo direito –, prendendo as restantes a uma forma de amor que é o da relação com o mundo infantil.

Essa ditadura do amor foi uma invenção nossa, de homens e mulheres, mas não tem trazido felicidade real para nenhum de nós, embora suas verdades sejam mostradas como verdades para todo o sempre, certezas tão certas que… banais.

© 2011 Paulo Ghiraldelli Jr. filósofo, escritor e professor da UFRRJ


(1) Harry Frankfurt assume isso em As razões do amor. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

(2) Movimento em Prol do Brincar: Estadão online de 16 janeiro de 2011.

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68 Responses to A Ditadura do Amor

  1. Roberto. on 16/01/2011 at 17:40

    Bom texto e esclarecedor.Acredito que boa parte das mulheres estão predestinadas para carregar a cruz de Jesus.Mesmo convivendo com chicotes,ainda devem manter a humildade,ou não.O amor é a patente de um bom general ditador que teme pelo próprio Estado.

  2. Walmor Chagas Fermino de Oliveira on 16/01/2011 at 19:10

    A autonomia feminina só será alcançada quando aprendermos a não reduzir o SER MULHER às instâncias da maternidade. Parabéns pelo texto.

  3. Leandro Nakamura on 16/01/2011 at 20:48

    Acredito que sempre devemos duvidar das “verdades absolutas” que nos são impostas.
    Eu gosto de algumas ideias de psicologia, porém certa vez um professor e psicólogo meu disse que se os adolescentes não forem rebeldes nessa fase da vida, eles seriam imaturos na vida adulta. Porém eu sempre vi na minha juventude essa rebeldia como sem causa e sem sentido, e não me considero imaturo, aliás sempre me considerei como um “velho”.

  4. Eriberto on 16/01/2011 at 21:54

    Eu gosto muito dos seus textos, mas quando você fala de amor , voa quilometros de altura. Paulo, por que não tem gente assim nos jornais, na tv?

    (desculpe se soou gay )

  5. espreitero on 16/01/2011 at 21:58

    Se eu fosse mulher, pessoa boa não seria.
    Mas fica difícil opininar sem ser hipócrita, fui criado dessa forma também…

  6. Thiago Ricardo on 16/01/2011 at 22:02

    Recentemente participei de uma conversa com minha namorada e sua amiga. Estava para nascer a primeira filha da chefe da primeira. Trata-se de uma pessoa que se dedica integralmente ao trabalho. Mais do que isso, se dedica integralmente a um certo modo de trabalhar. Exige, também, o mesmo dos seus subordinados, e de outros funcionários da empresa. As moças da mesa reclamavam que ela não daria atenção à filha, não tirando o tempo de resguardo a que tem direito. A própria parturiente dizia temer não conseguir ser uma boa mãe, embora não visse como fazer diferente. Eu lhes disse que a forte pressão para a produtividade, e o estímulo ao medo pela perda do emprego ou do prestígio, levam não apenas à abnegação e ao egoísmo da pessoa, mas também nos faz agir reativamente. A chegada da criança, então, passou a ser uma oportunidade para fugir desse mundo perverso, que cria certas potências e impotências. Sobre a mamãe estava chovendo canivetes de recomendações ditas tão veementemente que soavam como imposições. Ela estava cada vez mais culpada, e com menos chances de aproveitar o tempo que passaria com a filha, mesmo que esse tempo fosse pouco. Essa ditadura pelo amor materno tem algo de uma defesa obstinada por um ideal, em um mundo em que não se vê mais saídas. Entre executivos, outro exemplo dessa busca reativa é a disseminação da leitura espírita.
    Penso que seria melhor reconhecer, e habitar, o conflito: o mundo tem suas exigências, e normas médicas, psicológicas e espíritas que visam garantir o cumprimento daquelas, mas também é cheio de momentos em que as pessoas estão lado a lado, simplesmente vendo tv, andando na rua, ensinando e aprendendo. Com um tanto de desespero, e outro tanto de imposição, não se percebe quando se está perto, e não se aproveita.

  7. pgjr23 on 16/01/2011 at 22:09

    Eriberto, filósofo na TV, não sei se reparou, só os que falam a mesma ladaínha de sempre.

  8. pgjr23 on 16/01/2011 at 22:12

    Leandro, seu nome indica ser filho ou neto de japoneses, certo? Bem, não sei se vale para a sua cultura familiar a “rebeldia” ocidental da juventude. Creio que é algo muito mais atenuado.

  9. pgjr23 on 16/01/2011 at 22:17

    Uma das atividades mais difíceis, pois as mulheres são as primeiras a não quererem isso de modo algum. É claro que, no caso, eu estava falando antes do amor que de mulher. Mas vale sua observação, é claro, no contexto.

  10. Leandro Nakamura on 16/01/2011 at 22:40

    Paulo, sou neto de japonês. Bem a rebeldia do japonês do Japão é mesmo mais amena, porém muitos comportamentos são os mesmos: consumir muita bebida alcoólica, fumar, tatuagem, etc. Posso dizer isso de acordo com familiares meus que foram no Japão e me contaram que os japoneses também possuem essa fase de rebeldia, alguns deles utilizam desse artifício, pois a cobrança nos estudos e de “ser alguém” é muito grande. Desculpe fugir totalmente do assunto do tema. Estou gostando muito de poder acompanhar os textos e tecer comentários. Parabéns!

  11. pgjr23 on 16/01/2011 at 23:14

    Sim, a classe média do mundo todo vai ficando igual. Mas penso que a idéia de rebeldia contra os pais, mais diretamente, é importada.

  12. Diego on 17/01/2011 at 01:56

    Há muita Psicologia ruim, aliás, mais psicólogos ruins do que Psicologia ruim. Sou estudante de Psicologia, Unesp Bauru. Sei que o texto fala da ditadura do amor e tal. Mas não posso deixar de concordar contigo, Paulo, também por um outro viés. A brincadeira na criança é jogo de papéis. Ela recria no lúdico aquilo que a sociedade lhe interdita fazer. Ela representa na brincadeira aquilo que aprende com os modelos. Na brincadeira, ela brinca de ser adulto. Um adulto brincando, na minha opinião, mais atrapalha do que ajuda. Os adultos não brincam simplesmente porque não são mais crianças. Já aprenderam os elementos para atuar no “mundo adulto”. A criança ainda está ensaiando. Pra mim, brincar é coisa de criança. Essas psicologias, vazias de conteúdo, mas comprometidas ideologicamente, imprimem ainda na mulher as marcas de um suposto “amor maternal”, “dedicação aos filhos”, numa tentativa ainda de aprisioná-las num lugar que elas já ensaiam sair faz tempo.

  13. pgjr23 on 17/01/2011 at 10:19

    Diego, menos livro e mais observação: adultos não brincam? O que é a profusão de jogos na NET? O que são os jogos de caças, um atirando bolinha de tinta no outro? O que é o esporte? O que é o jogo do namoro? Calma, Diego. Adultos brincam e muito. O problema é que adultos que não brincam na “hora certa” podem não compreender as diferenças entre brincar com brinquedo e brincar com os outros. Mas isso é outra coisa e não tem de cair na cabeça da mulher.

  14. thezeyn on 17/01/2011 at 11:43

    Quando digo que eu e minha namorada não pretendemos ter filhos as pessoas acham um absurdo, a reação é negativa e no final percebo que eles pensam: “Eles estão dizendo isso mas terão filhos sim. O que uma mulher mais quer é ter filhos.”

  15. Diego on 17/01/2011 at 23:20

    De fato, Paulo. Me expressei mal. O brincar no sentido do jogo de papéis, do recriar a realidade no lúdico, aprendendo com os modelos os elementos que serão cobrados dela um dia. Esse é o brincar da criança. O brincar do adulto é outro brincar, é entretenimento, diversão etc, tem outras funções. O que eu quis dizer foi que o adulto não brinca como a criança. Querer colocar os pais para brincarem com a criança é que seria um certo equívoco. Mas já estou fugindo demais do tema do texto, rs.

  16. Micaias on 18/01/2011 at 09:34

    “Não quero ter filhos”, esta sentença sempre espantou as pessoas, principalmente as mães. Olhavam para mim como se fosse alienígena, mas sempre que pedia razões para ter filhos o que ouvia era um profundo silêncio, ou pior, palavras clichês: temos que ter filhos para sermos cuidados por eles na velhice; é um instinto natural do humano ter filho; não sei porque, sei que teria de novo. Esta ultima sem dúvida é a melhor, mesmo que carente de razões.
    O que os Rousseauístas se esquecem é que o próprio Rousseau não criou os seus filhos.
    Talvez esta foi à coisa mais sensata que Rousseau fez.

  17. pgjr23 on 18/01/2011 at 10:14

    Diego, outro problema para você: será que tudo tem funções? Será que a psicologia, igual à biologia antiga, tem de pensar em funções. Ou seja, não se brinca por brincar, mas se brinca para se passar de uma etapa para outra, para amadurecer uma coisa e virar outra etc. Essa forma de pensar, ensinada em cursos de psicologia … Você não desconfia dela?

  18. Thiago Ricardo on 18/01/2011 at 12:57

    Acho que as pessoas estão levando para um lado errado: não se trata de não ter filhos, e não cuidar dos que tiver, mas de se pensar sobre a ditadura do amor materno e das verdades que se acoplam a ela.

  19. Jack L. on 18/01/2011 at 13:51

    Não querer ter filhos significa que há algo de errado com você.

  20. Diego on 18/01/2011 at 18:40

    Paulo, os behavioristas dirão que todo comportamento tem sua função. Se um comportamento se mantém, é porque este foi reforçado. No caso do adulto, o brincar (agora olhando como um comportamentalista) se mantém porque é reforçado, seja pelos pares, “recompensas” sociais etc – mas mesmo se for “o brincar pelo brincar” seria um auto-reforçamento. Os behavioristas Skinnerisanos não vão falar de passar de uma etapa à outra. Função no sentido de – estar condicionada a. Tenho meus problemas com o behaviorismo, mas negar que todo comportamento cumpre uma função (no sentido que coloquei acima), isso ainda não consegui refutar.

  21. pgjr23 on 18/01/2011 at 19:52

    Pois é. Se não, aparece – é assim que dizem, né?

  22. pgjr23 on 18/01/2011 at 20:17

    Diego, não sei se há vantagem em desfilar o que está nos livros aqui, entende? Pense por você mesmo.

  23. Daniela on 20/01/2011 at 21:17

    Fiz meu mestrado em Antropologia sobre crimes entre pais e filhos e a ditadura do amor filial é um discurso recorrente entre os atores jurídicos na interpretação desses casos. Quando uma mãe ou pai mata ou tenta matar o filho, o crime é visto como monstruosidade, aberração, raridade, anti-natural, inexplicável. A loucura é a estratégia jurídica mais usada nesses casos, o que acarreta a absolvição dos réus. Muito diferente é a estratégia jurídica para os crimes entre casais: longe de serem monstruosidades, esses crimes são tidos como parte da cultura, frutos de sentimentos demasiadamente humanos, como covardia, machismo, paixão, ciúmes. Enquanto a violência geracional torna-se inteligível a partir da irracionalidade, loucura, anormalidade, a violência conjugal é explicada pela racionalidade, normalidade e intencionalidade do sujeito.

  24. pgjr23 on 20/01/2011 at 21:31

    Caso não conheça ainda, veja o meu Filosofia, amores e companhia, publicado pela Manole. Veja se gosta. Acho que tem a ver com você. Acho que o sentimento geral do livro é no sentido de comentar essas relações gerais de amores familiares. Depois você me diz o que achou. Combinado?

  25. Daniela on 20/01/2011 at 22:08

    Combinadíssimo! Assim que terminar a leitura, escrevo dizendo o que achei. Estou em um turbilhão de leituras a procura de um tema para o doutorado. Quem sabe seu livro me ajuda.

  26. pgjr23 on 20/01/2011 at 22:13

    Ajudará, garanto!

  27. Jorge antonio freitas on 08/02/2011 at 23:01

    Caro filósofo pelo que afirma me parece que o ilustre ainda está vivendo nos anos 60.E a mim tambem parece
    que o Senhor ( senhor?)é Homosexual passivo. SE se conseguir abolir o amor materno aparecerá ( não adianta, é inegavel)a ameaça de extição do ser humano.
    Creio, que talves( pode ser posivel) sejas pertencente a uma etinia que levaria vantagem em que o ser humano fosse extinto,menos a etinia a que pertences.Parece…
    O espaço é pouco mas com a sua erudição,creio que entenderá os meus pontos de vista. Desculpe se o levei ao desespero de saber que as suas ideias não vingam,de nada seve para o aperfeicoamento dos humanos. Jorge

  28. pgjr23 on 08/02/2011 at 23:09

    Ha ha ha!

  29. pgjr23 on 08/02/2011 at 23:24

    Jorge, vou contar uma coisa para você, não existe homossexual passivo e ativo. Você é apenas homossexual. Ha ha ha.

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